Renato Rogenski

Neste primeiro semestre de 2021, as agências de publicidade brasileiras estão em busca de soluções para lidar com a complexidade do contexto atual e, ao mesmo tempo, projetar o futuro, após passar tantos meses desafiadores em razão da pandemia. “Aprendemos novas maneiras de continuar produzindo com relevância, nos adaptamos a protocolos, mas ainda vivemos em um cenário de incertezas, sem saber quando o estado mais crítico vai passar. Manter o espírito colaborativo e conduzir as pessoas para um mesmo caminho em um cenário ainda tão instável, talvez, continuem sendo os principais desafios”, afirma Luiz Fernando Musa, CEO do grupo Ogilvy Brasil.

Olhando o cenário sobre o prisma das oportunidades, apesar de todos os desafios no caminho, a publicidade ganhou ainda relevância na missão de aproximar marcas e pessoas, na análise de Carol Boccia, vice-presidente de operações e atendimento da Africa. Para ela, as marcas não ficaram apenas focadas em sobreviver à pandemia, mas também em dar algum tipo de contribuição relevante para a sociedade. “As agências que melhor performaram foram aquelas que perceberam isso e conseguiram se adaptar rapidamente para realizar essas novas entregas: muitos projetos especiais, uma frente muito forte em e-commerce, digital e lives”, pontua.

Mais do que o papel de conectar marcas e pessoas em um momento delicado, há uma expectativa de que as agências de publicidade sejam elementos essenciais sob o ponto de vista estratégico na recuperação econômica do Brasil, de acordo com Eduardo Simon, CEO da DPZ&T. “É um período que exige foco cuidadoso quanto aos negócios, mas também sabemos que nossos clientes nunca precisaram tanto das agências e de nossa parceria na busca por soluções cada vez mais criativas visando uma comunicação ampla e certeira junto aos consumidores”, analisa.

Quando o assunto é perspectiva de mercado para os próximos meses, algumas das principais lideranças das agências de publicidade no País acreditam em uma evolução do cenário a partir do avanço dos índices de vacinação. Apesar de admitir um contexto social e político ainda tenso, por exemplo, o coCEO e COO da Leo Burnett Tailor Made, Marcio Toscani, observa muitas empresas reportando resultados sólidos e consistentes neste primeiro trimestre de 2021. “Isso demonstra a confiança do empresariado no país e consequente impacta de uma forma positiva o mercado de publicidade no Brasil”, comenta.

Há também quem acredite que nos próximos meses haverá uma continuidade do panorama que o mercado atravessa em 2020, incluindo o ambiente desafiador para os negócios, somando ao cansaço de todos pela ausência de perspectiva e medo, aumento do dólar e consequentemente aumento de preços e escassez de matéria prima, gerando instabilidade e necessidade de revisões. Essa é a leitura de Marcia Esteves, CEO da Lew’Lara\TBWA. Apesar disso, a executiva ressalta que as agências têm demonstrado alta capacidade estratégica e criativa para apoiarem as marcas a atravessarem este momento, reforçando a importância desta parceria para o negócio das empresas. “As agências consolidaram como parte de sua operação e cultura uma alta capacidade de reinvenção diária, em favor de das marcas, mercado e sociedade, mantendo as pessoas e criatividade no centro de tudo o que fazemos”, pontua.

Do ponto de vista de resultados, o CEO da Talent, João Livi, destaca a pressão do momento, mas lembra que mercado se saiu bem na revisão de seus custos e na busca por competitividade. “Interessante é que os anunciantes que deram um passo à frente, com ajuda de suas agências, no sentido de resolver problemas das pessoas, se posicionaram muito bem para o cenário pós-pandemia, demonstrando o quanto as agências são parceiros valiosos para planejar a conquistar espaços no futuro”, conclui.

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